Torcidas BAMOR e Os Imbatíveis sofrem sanções após mortes no BAVI
A Polícia Militar da Bahia (PMBA), por meio do Batalhão Especializado de Policiamento de Eventos (BEPE), aplicou uma sanção de seis meses contra as torcidas organizadas Bamor, ligada ao Bahia, e Os Imbatíveis, ligada ao Vitória.
Conforme apuração do Informe Baiano, a punição começa a valer nesta quinta-feira (03/09) e foi formalizada na manhã desta quarta-feira (02/09), durante uma reunião na sede do BEPE, em Salvador.
A decisão ocorre após os graves episódios de violência registrados antes do Ba-Vi disputado no dia 23 de agosto. O clássico, vencido pelo Bahia por 2 a 0, ficou marcado por confrontos em diferentes pontos de Salvador, mortes, feridos e prisões.
Durante os seis meses de sanção, as duas organizadas ficam impedidas de comparecer a eventos esportivos estaduais, regionais, nacionais ou internacionais, utilizando qualquer elemento que permita identificá-las como torcidas organizadas.
Estão proibidas, por exemplo, faixas, bandeiras, cartazes, camisas e outras vestimentas ou materiais de identificação. As duas torcidas também não poderão utilizar instrumentos musicais durante os eventos esportivos.
A formalização da medida contou com a presença da promotora de Justiça do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Telma Leal de Oliveira; do comandante do BEPE, tenente-coronel Flávio; do presidente da Bamor, Luciano Venâncio; e do presidente de Os Imbatíveis, Gabriel Oliveira.
MORTE E VIOLÊNCIA ANTES DO BA-VI
O episódio mais grave aconteceu na região da Avenida 29 de Março e da Via Regional, horas antes do clássico.
Segundo a Polícia Militar, equipes da 50ª Companhia Independente (CIPM) foram acionadas após informações sobre um confronto envolvendo integrantes de torcidas organizadas.
O torcedor José Alexandre Souza Borges, de 28 anos, conhecido como Nakombi, foi socorrido após ser agredido, mas não resistiu aos ferimentos. Ele sofreu diversos ferimentos provocados por arma branca.
Seis suspeitos foram presos e tiveram as prisões preventivas mantidas pela Justiça. Eles são investigados por homicídio qualificado, quatro tentativas de homicídio, posse de artefato explosivo e promoção de tumulto.
Segundo a polícia, os suspeitos estavam com facas, soqueiras, fogos e artefatos explosivos artesanais.
Além da morte de José Alexandre, quatro pessoas ficaram feridas durante os confrontos. Também foram registrados ataques contra ônibus do transporte público e danos a um estabelecimento comercial.
SEGUNDA MORTE
No mesmo domingo, outro jovem morreu em Salvador durante a movimentação relacionada ao Ba-Vi. Lucas dos Reis Bonfim, de 19 anos, integrante da Bamor, foi morto a tiros no bairro de Castelo Branco.
Apesar de as duas mortes terem ocorrido no mesmo dia, a Polícia Civil informou que, até então, não havia elementos que comprovassem ligação entre o assassinato de Lucas e a morte de José Alexandre ou os confrontos entre as torcidas organizadas.
O caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
TORCIDA ÚNICA NÃO IMPEDIU VIOLÊNCIA
O Ba-Vi do dia 23 foi realizado com torcida única, mas os confrontos aconteceram antes da entrada dos torcedores no estádio e em diferentes regiões de Salvador.
A sequência de ataques voltou a colocar em discussão a eficácia da torcida única como estratégia para combater a violência.
Desde 2018, Bahia e Vitória disputam o clássico sem a presença simultânea das duas torcidas nas arquibancadas. Mesmo assim, episódios violentos continuam sendo registrados nas ruas da capital baiana.
Após os acontecimentos, o secretário da Segurança Pública da Bahia, Marcelo Werner, defendeu que seja aberta uma discussão sobre a própria existência das torcidas organizadas no estado.
SEIS MESES DE PUNIÇÃO
Agora, Bamor e Os Imbatíveis terão que cumprir seis meses de restrições. Segundo a Polícia Militar, a medida considera a repetição de episódios graves envolvendo integrantes de torcidas organizadas, incluindo confrontos, vandalismo, agressões físicas, uso de artefatos explosivos e porte de armas.
A punição tem respaldo na Lei Geral do Esporte e nos Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados pelas duas torcidas junto ao Ministério Público da Bahia.

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