Ribeira do Pombal é proibida de adiantar R$ 1,5 milhão a Gusttavo Lima
A prefeitura de Ribeira do Pombal, sob gestão do prefeito Eriksson Silva (MDB), está impedida de antecipar o pagamento de R$ 1,5 milhão ao cantor Gusttavo Lima, referente a um show que será realizado na cidade baiana. A ação foi imposta pelo Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA) após deferir uma medida cautelar contra o Executivo nesta quarta-feira (30/9).
A apresentação do sertanejo está agendada para o dia 11 de outubro como atração principal da tradicional “Festa de Outubro 2026”. A decisão atende a um pleito da 22ª Inspetoria Regional de Controle Externo (IRCE), que questionou as cláusulas do Contrato nº 116/2026 — decorrente da Inexigibilidade de Licitação nº 31/2026 —, firmado com a empresa Balada Eventos e Produções LTDA.
O instrumento contratual previa a quitação total do valor contratado em até dez dias antes do evento. De acordo com o relatório da IRCE, embora a gestão do prefeito Eriksson Silva e do secretário municipal de Esporte, Cultura e Turismo, José Hélio Brito de Souza, tenha incluído a previsão do adiantamento na minuta do contrato, não foram apresentados elementos técnicos e objetivos que comprovem a real indispensabilidade da quitação prévia.
Pela Nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021, art. 145), o pagamento antecipado na administração pública é expressamente vedado como regra geral, sendo admitido apenas em caráter excepcional quando propiciar economia substancial ou for condição estritamente necessária para a execução do objeto.
“A análise concentra-se na suficiência dos elementos apresentados para demonstrar a indispensabilidade da antecipação integral. (...) Causa estranheza a exigência de documentação probatória para uma justificativa que se limita, em suma, à negativa da empresa de prestar o serviço caso o pagamento não seja realizado adiantado”, assinalou o relator na decisão monocrática.
Para fundamentar a concessão da tutela de urgência, a Corte de Contas destacou o perigo de lesão aos cofres municipais em caso de não cumprimento da obrigação contratual por parte da produtora após o recebimento dos recursos.
A decisão fundamentou o risco citando o histórico de cancelamentos de apresentações do artista Gusttavo Lima registrados no país ao longo de 2026 — a exemplo dos shows que não ocorreram nas cidades de Surubim (PE), Crato (CE) e Avaré (SP).

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