Condenado por massacre em cinema, atirador passa a frequentar shopping em Salvador e assusta clientes
Livre há dois anos, o ex-estudante de Medicina Mateus da Costa Meira, de 51 anos, condenado pelo ataque a tiros que matou três pessoas e feriu outras nove em um cinema de São Paulo em 1999, passou a frequentar regularmente o Shopping Barra, em Salvador.
Solto em 2024 pela Justiça da Bahia, ele tem sido visto circulando por cafés, livrarias e até salas de cinema do local, cenário semelhante ao crime que o tornou conhecido.
A rotina de Mateus no shopping começou a chamar atenção de frequentadores, que passaram a fotografá-lo e compartilhar imagens em grupos de WhatsApp.
O Shopping Barra, um dos principais centros comerciais da capital baiana, possui 315 lojas, oito salas de cinema — três delas VIP — e recebe cerca de 50 mil visitantes por dia.
Mateus mora sozinho a poucos quarteirões do local. “Quando eu o vi pela primeira vez, fiquei em dúvida, porque ele está bem diferente. Mas logo a informação se espalhou no shopping, deixando os vendedores com medo”, relata a comerciante Janaína Chaseliov, de 34 anos, à coluna.
A presença de Mateus no Shopping Barra também foi confirmada por outras pessoas. “Também já vi o Mateus várias vezes na bilheteria do cinema. Está acima do peso e me parece bem sombrio. Me cumprimentou normalmente. Fiquei com medo porque ele carregava uma mochila”, disse Marco Antônio Damasceno, médico e ex-colega de infância.
Crime foi planejado, segundo perícia
O caso que levou à condenação de Mateus começou em 1999, durante uma sessão do filme “Clube da luta”, no Morumbi Shopping, em São Paulo.
A defesa tentou sustentar que ele era inimputável, ou seja, incapaz de entender o caráter criminoso dos próprios atos por causa de transtornos mentais, mas a tese foi rejeitada.
Segundo relatos apresentados à Justiça, Mateus já agrediu familiares. “O Mateus só agride quem ele gosta. O próprio preso que levou a tesourada disse isso ao juiz. Os dois eram amigos”, afirmou o advogado Vivaldo Adaes.
O próprio defensor relatou medo após a soltura: “Eu tenho medo de que ele apareça armado aqui no meu escritório. Aliás, todo mundo tem esse medo. Até porque ele já havia feito uma lista de pessoas marcadas para morrer”.
A informação é de Ullisses Campbell, que assina a coluna True Crime no jornal O Globo.


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