Coletivo de mulheres luta pela preservação da cultura da Guerra de Espadas em Cruz das Almas
Fundado em janeiro deste ano, o Coletivo Espada Rainha é uma iniciativa de mulheres, que atua para transformar a tradição em uma ferramenta de educação e memória. O grupo entende que a espada é um patrimônio vivo e busca garantir que essa história não seja apagada pela marginalização (a queima de espadas é proibida, em Cruz das Almas, desde 2011), mas sim ressignificada com responsabilidade.
Apesar do histórico protagonismo masculino, engana-se quem pensa que a presença das mulheres nessa cultura é irrelevante. Elas sempre foram os pilares invisíveis da tradição, tanto participando das “guerras”, quanto cuidando da organização das festas e da manutenção das famílias espadeiras. Muitas também fazem parte da cadeia de fabricação dos artefatos. Sabrina C. Machado, fundadora do coletivo, explica que o movimento nasceu justamente para dar luz a essa participação.
A proposta é focar no conhecimento técnico, na cultura e na delicadeza do processo de fabricação. Caroline Ceci Chagas, integrante do grupo, acredita que o olhar feminino traz um cuidado especial para a salvaguarda desse patrimônio, sem o enfrentamento judicial ou o descumprimento da lei. O coletivo não promove queimas de espadas nem incentiva qualquer atividade ilegal. A proposta é atuar na conscientização sobre a importância cultural da tradição.
“A gente tá trabalhando muito para desmistificar esse preconceito. A gente tá trabalhando com a educação para mostrar que a espada não é apenas um artefato aleatório. Existe todo um saber tradicional na fabricação desse artefato. O corte do bambu, a dosagem da pólvora, a amarração do bambu, tem todo um processo por trás disso”, defende. Para ela, documentar esses passos é essencial. “Tira a espada da margem, e a coloca em um lugar de patrimônio imaterial, que é o que já deveria ter sido feito”.
Correio

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