Prefeito de Santo Antônio de Jesus reforça compromisso com dignidade laboral nos 27 anos da tragédia de 1998
Os 27 anos da tragédia de 11 de dezembro de 1998, em Santo Antônio de Jesus, foram lembrados nesta quinta-feira (11/12) com homenagens às vítimas e reafirmações de compromisso por parte do poder público. Durante a cerimônia, o prefeito Genival Deolino destacou que o episódio segue como uma das maiores dores da história do município, marcando profundamente a comunidade e inspirando ações contínuas por justiça e dignidade no trabalho.
A explosão da fábrica de fogos de artifício provocou a morte de 60 a 64 pessoas, entre elas muitas mulheres e crianças negras submetidas a condições precárias, sem equipamentos de proteção e treinamento adequado. A tragédia resultou na condenação do Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, que reconheceu violações e determinou medidas de reparação.
Em seu pronunciamento, o prefeito afirmou que a data leva a cidade a “parar para lembrar, sentir e reafirmar um compromisso que não é só da gestão, mas de toda a população”. Ele ressaltou o papel do Instituto 11 de Dezembro — formado por familiares e sobreviventes — que nasceu do luto coletivo e mantém viva a memória das vítimas, transformando dor em mobilização permanente.
Genival Deolino reiterou que o município não tolerará práticas de trabalho indignas ou desumanas e que seguirá cumprindo as determinações de reparação, ampliando políticas de assistência social, fortalecendo serviços de saúde e apoiando famílias vulneráveis. “Honrar as vítimas é proteger os vivos”, garantiu.
As ações em memória do 11 de Dezembro seguem pelo compromisso de garantir segurança, oportunidades e proteção social para que episódios como o de 1998 não se repitam.
RELEMBRE O CASO
No dia 11 de dezembro de 1998, explodiu uma fábrica de fogos de artifício em Santo Antônio de Jesus, no recôncavo baiano, que causou a morte de 64 pessoas, outras cinco tiveram ferimentos graves, mas sobreviveram. Quase todas as vítimas eram mulheres, inclusive crianças e adolescentes, das quais várias com idades entre nove e catorze anos, e também idosas, de 76 e 91 anos de idade. Após a tragédia, os atingidos se organizaram em torno do Movimento 11 de Dezembro para lutar por justiça.
O dono da fábrica, Osvaldo Bastos Prazeres (já felecido), continuou a manter a produção clandestinamente. A situação de pobreza do município obrigava a população a se submeter ao trabalho extremamente perigoso. Além do risco, os trabalhadores recebiam salários ínfimos. Na época, por exemplo, contam que eram pagos R$ 0,50 pela produção de mil traques (pequenos pedaços de pólvora embrulhados em papel).
A explosão da fábrica de fogos resultou em quatro processos judiciais, nas áreas cível, criminal, trabalhista e administrativa, contudo, até agora, passados 20 anos, só os processos administrativo e trabalhista foram encerrados, sem no entanto garantirem uma reparação justa às vítimas da explosão.

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